José Renato da Silva trabalhou no gabinete de André do Prado e na liderança partidária da Alesp; condenado a 40 anos de prisão, ele recorre em liberdade.
A disputa pelo Senado em São Paulo ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (1º). O deputado federal Ricardo Salles (Novo), candidato a uma das vagas, fez acusações contra o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), seu adversário na corrida eleitoral.
Em entrevista ao portal Metrópoles, Salles questionou a relação profissional entre André do Prado e José Renato da Silva, ex-presidente da Câmara Municipal de Suzano e ex-vice-presidente estadual do PL. José Renato foi condenado, em primeira instância, a 40 anos de prisão, em regime inicial fechado, por estupro de vulnerável contra duas netas.
José Renato atuou como assessor no gabinete de André do Prado na Alesp entre 2013 e 2015. Posteriormente, entre 2015 e 2022, trabalhou na liderança do então Partido da República (PR), legenda que passou a se chamar Partido Liberal (PL).
Durante a entrevista, Salles afirmou que José Renato teria sido chefe de gabinete de André do Prado por 13 anos e também citou uma acusação envolvendo a filha do ex-assessor. No entanto, segundo as informações publicadas sobre o processo, a condenação judicial refere-se aos crimes cometidos contra duas netas. Ele não foi condenado pelo relato envolvendo a filha.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de São Paulo em novembro de 2022. Em agosto de 2023, José Renato foi condenado pela Justiça paulista a 40 anos de prisão. O processo tramita em segredo de justiça. A sentença de primeira instância concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade.
André do Prado rebate acusações
Em nota, André do Prado repudiou as declarações de Ricardo Salles e afirmou que o adversário tenta explorar politicamente o drama vivido pela família para obter vantagem eleitoral.
Segundo o presidente da Alesp, José Renato não era seu chefe de gabinete quando as denúncias se tornaram conhecidas, mas funcionário da liderança partidária.
“José Renato da Silva era funcionário da liderança do partido. Assim que o partido tomou conhecimento da denúncia, ele foi imediatamente demitido. Antes disso, jamais havíamos tido conhecimento dos fatos relatados, que, segundo a própria denúncia, ocorreram no âmbito familiar”, afirmou a nota.
André do Prado também declarou que nunca acobertaria um caso dessa natureza e classificou como falsa a tentativa de atribuir a ele conhecimento prévio sobre as denúncias.
Caso tornou-se público em 2022
As acusações contra José Renato da Silva tornaram-se públicas em abril de 2022, após relatos divulgados nas redes sociais por uma de suas filhas. Nos meses seguintes, ele foi indiciado e denunciado pelo Ministério Público.
Em agosto de 2023, a Justiça de São Paulo o condenou por crimes cometidos contra duas netas. A pena estabelecida foi de 40 anos de prisão, com regime inicial fechado. Como ainda há possibilidade de recurso, José Renato permanece em liberdade, conforme autorizado na sentença.
O caso voltou ao debate público durante a campanha eleitoral de 2026, após as declarações de Ricardo Salles. André do Prado e Salles disputam votos de uma parcela semelhante do eleitorado paulista na corrida pelas duas vagas disponíveis para o Senado.



