Diretor-executivo defendeu a atuação da corporação, manifestou confiança no diretor-geral afastado e afirmou que a instituição continuará trabalhando com serenidade.
O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, assumiu interinamente o comando da corporação nesta terça-feira (08/09), após o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues. A medida também atingiu o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Durante uma cerimônia na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, Murad fez um discurso em defesa da instituição e afirmou que a PF continuará trabalhando com serenidade, equilíbrio e respeito à legalidade. Ele também manifestou confiança em Andrei Rodrigues e ressaltou que eventuais ataques não comprometerão o trabalho da corporação.
O afastamento foi determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em uma decisão que apura a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência relacionados à atuação de autoridades. Mendonça sustenta que documentos da PF teriam sido produzidos sem justificativa legal e utilizados para acompanhar suas atividades e as do advogado-geral da União, Jorge Messias.
De acordo com a decisão, o afastamento tem caráter preventivo e busca evitar possíveis interferências durante a apuração. André Mendonça também determinou a suspensão da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência sobre atividades jurisdicionais. As acusações ainda serão investigadas, e os afastamentos não representam condenação dos envolvidos.

A medida provocou forte reação dentro da Polícia Federal. Onze diretores colocaram seus cargos à disposição e divulgaram uma manifestação em defesa de Andrei Rodrigues e Leandro Almada. No documento, eles afirmaram que os dois delegados são alvo de acusações injustas e defenderam a preservação da autonomia institucional da corporação.
William Murad era o segundo nome na estrutura de comando da PF e atuava como diretor-executivo. Delegado desde 2002, ele já ocupou funções nas áreas de inteligência, tecnologia e inovação, além de ter servido como adido policial no Reino Unido. Seu nome é considerado uma escolha de continuidade administrativa.
Na Diretoria de Inteligência Policial, Rafael Caldeira, ex-chefe da área de Contrainteligência, assumiu interinamente a função anteriormente ocupada por Leandro Almada.
A decisão de André Mendonça começou a ser analisada pela Segunda Turma do STF e recebeu votos favoráveis de Luiz Fux e Nunes Marques. O julgamento, porém, foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Até uma nova deliberação, os afastamentos permanecem em vigor.



