Os trabalhadores dos Correios estão em greve nacional por tempo indeterminado. A paralisação começou às 22 horas de quinta-feira (10/09) após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela estatal durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios, a FINDECT, todas as 35 assembleias realizadas até o início do movimento aprovaram a greve. Em São Paulo, a mobilização é conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Correios de São Paulo, o SINTECT-SP.
O principal impasse envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. As entidades sindicais são contrárias à proposta de alteração da condição dos Correios como mantenedores do benefício e alegam que a mudança pode comprometer o custeio e a continuidade da assistência médica.
A proposta apresentada pela empresa prevê a reposição integral da inflação medida pelo INPC nos salários e benefícios. Os Correios também afirmam que 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior foram preservadas. Apesar disso, os trabalhadores consideraram insuficientes os avanços nas demais reivindicações e decidiram manter a paralisação.
As negociações tiveram várias rodadas e passaram por uma tentativa de mediação no Tribunal Superior do Trabalho, mas terminaram sem acordo. Na sexta-feira, 11 de setembro, os Correios acionaram novamente o TST, pediram a abertura de dissídio coletivo e solicitaram a retomada dos serviços. A empresa sustenta que a greve é abusiva. As entidades sindicais afirmam que permanecem abertas à negociação.
Agências permanecem abertas
Os Correios informaram que as agências continuam abertas e que colocaram em funcionamento um Plano de Continuidade de Negócios. Entre as medidas adotadas estão o remanejamento de equipes, o reforço das operações e ações logísticas para reduzir os impactos à população.
Mesmo com o plano emergencial, algumas unidades podem trabalhar com efetivo reduzido. Há possibilidade de atrasos na coleta, no transporte e na entrega de encomendas e correspondências. O impacto pode variar conforme a adesão dos trabalhadores em cada região.
A paralisação acontece em meio à crise financeira enfrentada pela estatal. Os Correios registraram prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026 e executam um plano de reestruturação para tentar equilibrar as contas.
Quem aguarda uma encomenda deve acompanhar a movimentação pelo sistema oficial de rastreamento dos Correios. Consumidores com contas, documentos ou compromissos com prazo determinado não devem considerar a greve como prorrogação automática e precisam buscar outras formas de pagamento ou envio quando necessário.
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