Destituído pelo Senado, ex-presidente ficará detido em casa por ordem do Ministério Público, que investiga suspeitas de irregularidades ligadas ao Ueno Bank. O vice Pedro Alliana assumiu a Presidência.
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi preso na noite de sexta-feira (06/11), em sua residência em Assunção, pouco depois de o Senado aprovar sua destituição. A Polícia Nacional cumpriu a ordem assinada por quatro promotores que investigam o caso Ueno Bank.
Pela determinação, Peña permanecerá detido em casa até ser colocado à disposição da unidade do Ministério Público especializada em crimes econômicos e corrupção.
O Ministério Público informou que a investigação apura suspeita de lesão de confiança, crime previsto na legislação paraguaia, entre outras possíveis infrações. Promotores também citaram a possibilidade de enquadramento por tráfico de influência, ainda em análise. A ordem de detenção inclui Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai.
Senado destituiu Peña por 44 votos
A prisão ocorreu após o Senado aprovar, por unanimidade entre os 44 senadores presentes, a perda do mandato por mau desempenho no exercício do cargo. Peña havia apresentado a renúncia na quinta-feira (05/11), mas o Congresso prosseguiu com o julgamento político.
Ainda na sexta-feira, o então vice-presidente Pedro Alliana tomou posse para completar o mandato, previsto até 2028.
Peña pediu mais 72 horas para preparar sua defesa. O Senado rejeitou o pedido, e seus advogados participaram da sessão.
A defesa sustentou que a renúncia retirava do Congresso a competência para julgá-lo e argumentou que parte dos fatos atribuídos ao ex-presidente dizia respeito a decisões do Banco Central e do Instituto de Previdência Social, órgãos sobre os quais, segundo os advogados, Peña não tinha ingerência.
A votação encerrou o julgamento político. A apuração criminal segue em separado.
O que está sob investigação no caso Ueno Bank
Na quinta-feira (05/11), o Ministério Público abriu três investigações criminais a partir de denúncias ligadas ao banco. Uma delas amplia uma representação contra Peña apresentada em outubro de 2025.
Os parlamentares pedem que sejam apurados possíveis conflitos de interesse, a atuação do Banco Central na fiscalização da instituição e as decisões que levaram à aplicação de recursos públicos no Ueno Bank.
Entre os recursos mencionados na denúncia estão os do Instituto de Previdência Social, responsável pelo pagamento de aposentadorias no Paraguai. A denúncia também questiona as aplicações da Itaipu Binacional, administrada por Brasil e Paraguai.
Os parlamentares querem identificar quem autorizou os depósitos e se as operações causaram prejuízo ao Estado.
Vínculos com o grupo financeiro
A investigação também examina os vínculos de Peña com o grupo financeiro. Em 2023, ele declarou ter ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis e um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis no Ueno Bank.
As ações foram vendidas em abril de 2025. Um irmão do ex-presidente aparece como sócio da U Holding SARL, empresa apontada na denúncia como parte da estrutura de controle do banco.
Como fica a devolução do dinheiro aos clientes
O Banco Central iniciou o processo de resolução do Ueno Bank em 02/11, após constatar que o índice de solvência da instituição estava abaixo da metade do mínimo exigido.
A crise deixou clientes sem acesso a suas contas e levou à abertura de um processo de pagamento pelo Fundo de Garantia de Depósitos.
Na primeira etapa, o Banco Central anunciou pagamento integral aos clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis que não tenham dívidas com o Ueno e possuam conta ativa em outro banco ou instituição financeira do país.
As próximas etapas serão divulgadas pelos canais oficiais do Banco Central paraguaio.



