Por Marilei Schiavi
Exclusivo para o programadamarilei.com.br
“Se está tudo caro, que saudades do Bolsonaro.”
A frase dita por Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, percorre as redes sociais com a força de um slogan político. Curta, direta e estrategicamente provocadora, ela carrega um subtexto que vai muito além da crítica à economia: é uma declaração de que a eleição de 2026 está chegando com a força da direita.
A crítica econômica que vira capital político
Valdemar não falou por acaso. O Brasil vive um momento de insatisfação generalizada com os preços dos alimentos, dos combustíveis e do custo de vida. Em um país onde o supermercado virou termômetro político, frases como essa encontram eco na população.
Ao afirmar que “há inflação para todos”, Valdemar atinge o coração da principal dor do eleitorado. E ao emendar que sente “saudades do Bolsonaro”, ele aciona a memória seletiva de parte da população que, apesar das polêmicas do governo anterior, lembra dos auxílios, da linguagem direta e da promessa de “ordem”.
Nos bastidores: Valdemar quer voltar à Câmara
Nos corredores de Brasília, a fala também tem outro peso: ela é lida como um ensaio do retorno de Valdemar Costa Neto à cena eleitoral. Após anos atuando nos bastidores como um dos articuladores mais influentes da direita, o presidente do PL já é cotado como pré-candidato a deputado federal em 2026. Seria a volta de um nome experiente ao plenário da Câmara, onde já teve papel decisivo nas composições de poder.
Slogan pronto, base ativada
A frase tem tudo que uma campanha precisa: identificação emocional, crítica direta ao adversário e simplicidade de entendimento. É fácil de replicar, fácil de memorizar e difícil de ignorar. Em um país cada vez mais guiado por narrativas nas redes sociais, o impacto de uma frase como essa pode ser maior do que muitos discursos técnicos sobre inflação.
O que esperar?
A polarização já começou. De um lado, o governo Lula tentando sustentar os números da economia e controlar os danos da percepção pública. De outro, líderes como Valdemar reacendendo a chama do bolsonarismo e preparando o terreno para o próximo embate eleitoral.
Enquanto isso, o brasileiro segue entre o caixa do supermercado e o feed do Instagram — onde, às vezes, uma frase vale mais que uma política pública.



