A cidade de São Paulo viveu suas 24 horas mais violentas desde o início da onda de vandalismo contra ônibus. Só na última segunda-feira (7/07) 59 veículos foram atacados, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes (SMT) e pela SPTrans. O número confirma a escalada preocupante de ataques que afetam diretamente a população mais vulnerável da capital.
Desde o início dos ataques (12/06) 328 ônibus foram depredados. As ações são semelhantes: uma pedra arremessada contra os vidros do coletivo chama a atenção do motorista e dos passageiros, interrompendo a viagem e tirando o veículo de circulação. Em muitos casos, os danos são altos: apenas um vidro quebrado pode gerar prejuízos de até R$ 16 mil, somando reparos e multas por não circulação.
Na tarde de domingo (6/07), em São Bernardo do Campo, câmeras de segurança registraram o momento em que um homem lançou uma pedra em um ônibus da EMTU logo após o veículo sair de um ponto na Estrada dos Alvarengas. A janela foi estilhaçada, mas não houve feridos. O ônibus precisou retornar à garagem, prejudicando os usuários.
Nem os ônibus de trajeto especial escaparam: até o coletivo que liga os aeroportos de Congonhas e Guarulhos foi alvo de vandalismo.
Prisões e casos graves
Desde o último sábado (5/07), a Polícia prendeu três homens e apreendeu um adolescente por envolvimento nos ataques. Um dos casos mais graves ocorreu em 27 de junho, quando uma mulher foi atingida no rosto por uma pedra e sofreu fraturas múltiplas na face. O suspeito do ataque é Éverton de Paiva Balbino, preso temporariamente por 30 dias. Ele é filho de um motorista de ônibus, mas a polícia descarta qualquer ligação familiar com os atos de vandalismo.
Imagens de câmeras de segurança mostram Éverton descendo de um carro vermelho, na Avenida Washington Luís, e arremessando a pedra contra o ônibus a uma distância de apenas 3 metros. Ele alegou que teria agido por conta de uma “briga de trânsito”, mas a versão é contestada pelos investigadores.
Outros dois homens foram presos em flagrante no sábado, em ataques registrados nas zonas Sul e Oeste da capital, nos bairros de Santo Amaro e Pirituba.
Transporte parado, população prejudicada
As ações criminosas não só geram prejuízo financeiro para as empresas, como afetam diretamente o direito à mobilidade da população de baixa renda. Ônibus danificados saem de circulação, linhas são interrompidas e passageiros ficam sem transporte, especialmente nos extremos da cidade.
Na madrugada de quinta-feira (3/07), uma fila de coletivos atacados se formou em frente ao 47º Distrito Policial, no Capão Redondo, região marcada por forte presença de trabalhadores que dependem do transporte público diariamente.
A Operação Impacto e Proteção a Coletivos, montada pela Polícia Militar no dia 2 de julho, atua com base em mapeamento conjunto com a Polícia Civil para tentar frear a onda de ataques.
Enquanto isso, o Sindicato dos Motoristas de São Paulo cobra respostas. A entidade informou que solicitou uma reunião urgente com a Secretaria de Segurança Pública para tratar do aumento da violência e reforçar a proteção de motoristas e passageiros.
Ataques a ônibus seguem sem explicação clara e deixam população vulnerável
As investigações continuam em curso. Apesar das prisões, a polícia ainda não conseguiu determinar se os ataques são coordenados, fruto de protestos isolados, atos aleatórios de vandalismo ou alguma articulação criminosa mais ampla.
O fato é que milhares de paulistanos seguem reféns do medo, da insegurança e da imprevisibilidade nos trajetos mais simples do dia a dia — ir e vir ao trabalho, à escola ou ao médico.
Enquanto o transporte público não for respeitado como um direito básico e essencial, o prejuízo seguirá sendo dividido entre os mais pobres o em conjunto com a Polícia Civil.



