Em nova fase da investigação que apura tentativa de golpe de Estado, a Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (18/07) mais uma operação contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. A ofensiva ganhou ainda mais repercussão após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, afirmar que o próprio Bolsonaro “confessa crime” ao condicionar o fim das tarifas de Donald Trump à anistia no Brasil.
Segundo Moraes, ao tentar associar questões diplomáticas a um perdão por crimes contra o Estado Democrático de Direito, o ex-presidente atua não só contra a soberania nacional, mas tenta pressionar o Judiciário e obstruir o andamento do processo em que é investigado.
As investigações miram articulações internacionais feitas por Bolsonaro para escapar das consequências legais no Brasil. A PF apura se houve tentativa de barganha política com líderes estrangeiros — como Trump — em troca de interferência nas instituições brasileiras.
A nova fase da operação intensifica o clima de instabilidade e amplia o desgaste político e jurídico do ex-presidente, já inelegível até 2030. Especialistas avaliam que o discurso de Bolsonaro, ao falar publicamente sobre “tarifaço” e anistia, pode ser interpretado como um gesto de desespero político e, ao mesmo tempo, evidência de tentativa de obstrução de Justiça.
‘Suprema humilhação’, diz Bolsonaro após colocar tornozeleira eletrônica por decisão do STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira (18/07) que a colocação de uma tornozeleira eletrônica determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) representa uma “suprema humilhação”. A medida faz parte de um conjunto de restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito da nova operação da Polícia Federal, que investiga suposta tentativa de interferência do ex-presidente em processos judiciais.
Em entrevista à imprensa, Bolsonaro negou qualquer intenção de deixar o país ou buscar refúgio em embaixadas. “Nunca pensei em sair do Brasil ou ir para embaixada”, declarou. Ele classificou as ações como de natureza política e voltou a criticar as decisões do Supremo.
Além da tornozeleira eletrônica, o ex-presidente está proibido de:
- Sair de casa entre 19h e 7h, inclusive nos fins de semana;
- Se comunicar com outros investigados;
- Manter contato com diplomatas;
- Utilizar redes sociais.
As restrições foram impostas no mesmo dia em que Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Federal. Segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, há indícios de que o ex-presidente atuou em conjunto com o filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), para tentar interferir em processos judiciais e influenciar decisões com impacto internacional.
Moraes também apontou que o ex-presidente fez declarações públicas ligando a ideia de uma anistia a si próprio com a suspensão das sanções econômicas dos Estados Unidos ao Brasil, o que teria motivado parte das restrições.
As investigações seguem em curso, com expectativa de novos desdobramentos nos próximos dias.



