O youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, voltou a se pronunciar publicamente após dias turbulentos. Neste fim de semana, além de conquistar mais uma vitória na Justiça contra perfis que o atacaram nas redes sociais, o criador de conteúdo participou do programa Altas Horas, onde comentou pela primeira vez na TV a repercussão do vídeo que denuncia a adultização e a exploração sexual de crianças e adolescentes na internet.
O vídeo, publicado há pouco mais de uma semana, já ultrapassou 44 milhões de visualizações e culminou na prisão preventiva do influenciador Hytalo Santos e de seu marido Israel Nata Vicente, acusados de expor menores em conteúdos digitais.
Felca foi categórico em sua fala:
“Criança não deve produzir conteúdo na internet. Internet é um ambiente para adultos. A exposição não é fácil de lidar, vem com críticas, às vezes com assédio, e criança não está preparada para isso.”
Ele também reforçou a importância da supervisão parental no uso das redes sociais:
“É muito fácil a criança sair de uma animação divertida para um conteúdo não apropriado. Se o pai consegue supervisionar, o consumo pode ser moderado. Mas se não consegue, a melhor saída é o bloqueio.”
Vitórias na Justiça e ameaças de morte
O posicionamento firme de Felca tem gerado tanto apoio quanto reações violentas. No último sábado (16), ele recebeu ameaças de morte por e-mail, incluindo mensagens como “você vai pagar com a sua vida”. A Justiça de São Paulo determinou, em caráter emergencial, que o Google quebre o sigilo dos dados do remetente em até 24 horas, sob pena de multa de até R$ 100 mil.
Segundo o advogado de Felca, João de Senzi, o influenciador tem andado em carro blindado e acompanhado de seguranças. “Ele tem usado sua visibilidade para jogar luz em um tema que muitos não viam ou não conheciam. Mas naturalmente, ao mexer com interesses tão sensíveis, passou a ser alvo de ameaças”, disse o advogado.
Apesar das intimidações, Felca celebrou a dimensão que sua denúncia alcançou:
“Não é sobre mim. É sobre a causa. Ver pessoas assistindo ao vídeo no ônibus e no metrô me dá a certeza de que estamos levando essa discussão para onde ela precisa chegar.”



