Em entrevista ao programadamarilei.com.br, o ex-presidente do Clube Náutico Mogiano, o vereador Marcos Furlan, falou sobre a surpresa da diretoria com o decreto de utilidade pública da área do clube, as dificuldades financeiras enfrentadas ao longo dos anos, os riscos de perda para o setor imobiliário e a esperança de que parte do espaço continue sob gestão da entidade. Ele reforçou que o Náutico, com 93 anos de história, segue em pleno funcionamento e é patrimônio importante para Mogi das Cruzes e para o país. Leia a entrevista:
1 – Como a diretoria recebeu a notícia de que a Prefeitura de Mogi decretou a área do Clube como de utilidade pública?
A diretoria do Clube Náutico Mogiano recebeu com surpresa a notícia de que a Prefeitura de Mogi decretou a área do Clube como utilidade pública, e fica na expectativa dos planos da Administração Municipal para o local.
2. O Clube foi consultado ou informado previamente sobre a possibilidade de desapropriação?
Oficialmente, o Clube não foi consultado ou informado sobre a possibilidade de desapropriação mas ouviu algum tipo de boato.
3. A nota oficial menciona dívidas acumuladas nos últimos anos. Qual é a real situação financeira do Clube hoje?
O Clube tem dívidas e problemas judiciais de várias esferas há muitas décadas, porém estava funcionando normalmente.
4. Já houve tentativas de negociação com os credores antes dessa medida da Prefeitura?
Já houve inclusive possibilidade de vendas de áreas, que nos permitiram fazer essa quitação, porém não houve sucesso.
5. Como a diretoria avalia o risco de parte da área do Clube passar para investidores do setor imobiliário?
O Clube prefere que sua área seja utilizada pelo poder público da melhor forma, mas faz questão de manter parte de sua área para seus associados, alunos e clientes, como os locatários de vários dos nossos espaços, como ginásio, quadras, salão social.
6. O Clube vê a desapropriação como uma ameaça ou como uma oportunidade de manter a área preservada para a cidade?
Como o Clube é muito grande, são 65.000 m² e seis áreas, vemos com bastante otimismo a possibilidade de parte dessas áreas serem locais de atividades esportivas e outra parte ser administrada pelo próprio Clube.
7. A Prefeitura cita o exemplo do antigo Clube Siderúrgico, transformado no Parque da Cidade. A diretoria do Náutico teme que algo semelhante aconteça, com o Clube perdendo totalmente a gestão do espaço?
Eram situações bem diferentes, o Náutico hoje tem 40 funcionários diretos e mais de 50 indiretos pelas suas terceirizadas. São clientes, são contratos, estamos em pleno funcionamento, mas a gente espera que aconteça o melhor, tanto para o Náutico quanto para a Prefeitura.
8. Há algum plano interno para recuperação financeira e manutenção do patrimônio, sem depender da intervenção da Prefeitura?
O plano de recuperação financeira e manutenção tem sido feito rotineiramente, por isso que o Náutico via com bons olhos que parte de seu patrimônio não ficasse com a entidade para que pudesse pagar principalmente as dívidas históricas e antigas, que atrapalham a gestão do clube.
9. O que os associados e frequentadores têm manifestado diante dessa situação?
Os associados e frequentadores estão preocupados, todos sabem que o Náutico patrimônio não só da cidade mas do Estado, do País, e querem o Náutico continue vivo, em pleno funcionamento.
10. Qual mensagem a presidência gostaria de deixar à população mogiana neste momento de incertezas sobre o futuro do Clube?
O presidente do Clube Náutico tranquiliza a população e principalmente o seu associado, os alunos tanto da faculdade quanto do colégio, seus locatários, fornecedores e diz que o Náutico continuará em pleno funcionamento que possa oferecer atrativos à sociedade mogiana e também ofereceu o melhor ao seu associado e seu aluno que ele frequenta.
Se parte do Náutico for pra Prefeitura ou para a iniciativa privada, é porque será para que o Náutico seja saneado e seja cada vez melhor administrado.
Contamos com a apoio da Prefeitura e de toda a população pra recolocar o Náutico no patamar que ele merece. Estamos falando de um clube de 93 anos de história, que é referência por suas instituições de ensino, como o Colégio Náutico e a Faculdade Náutico, com mais de 50 anos de tradição, oferecendo cursos de Educação Física e Fisioterapia, e sobretudo, um clube de muitos eventos sociais, de muito esporte, como a natação, o paradesporto, o atletismo.
O Náutico é uma parte importância da história de Mogi, e nos dedicamos, com afinco, para mantê-lo vivo.



