O jornalismo brasileiro perdeu, nesta terça-feira (2/09), um de seus nomes mais emblemáticos. O jornalista Mino Carta, fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, faleceu em São Paulo, aos 91 anos, no Hospital Sírio-Libanês, onde estava internado na UTI nas últimas semanas.
Nascido em Gênova, na Itália, Mino Carta construiu no Brasil uma trajetória que se confunde com a própria história da imprensa nacional. Foi responsável pela criação e direção de algumas das revistas mais influentes do país, entre elas Quatro Rodas (1960), Veja (1968), Isto É (1976) e, finalmente, a Carta Capital (1994), publicação que se consolidou como referência no jornalismo crítico e independente.
Sua carreira também passou pelo Jornal da Tarde (1966), inovador em linguagem e diagramação, e pelo ousado Jornal da República (1979), experiência considerada um marco, mesmo com o insucesso editorial em meio à abertura política.
Ao longo de mais de seis décadas de atuação, Mino Carta enfrentou embates com a ditadura militar, lidou com censura, pressões políticas e manteve o compromisso de fiscalizar o poder. Ele dizia que a Carta Capital foi sua maior realização, construída sobre três pilares: fidelidade aos fatos, espírito crítico e vigilância sobre o poder.
Além do jornalismo, dedicou-se à literatura, publicando romances como Castelo de Âmbar (2000), A Sombra do Silêncio (2003) e A Vida de Mat (2016), nos quais mesclava memória pessoal, ficção e reflexão filosófica.
O velório acontece hoje, a partir das 12h, no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, na Zona Oeste da capital.
A morte de Mino Carta representa não apenas a perda de um jornalista, mas o fim de uma era marcada por coragem, ousadia editorial e compromisso com a democracia.



