Caso de Mogi das Cruzes volta à tona: Sandrão processa Amazon por série “Tremembé”

A ex-detenta Sandra Regina Ruiz Gomes, conhecida como Sandrão, entrou com processo contra a Amazon Prime Video após a estreia da série Tremembé, exibida desde outubro. Segundo a CNN Brasil, ela reivindica indenização de R$ 3 milhões por danos morais, uso indevido de imagem e por supostas distorções de sua história.

Sandrão alega que a produção retrata de forma “falsa” seu papel no crime pelo qual foi condenada, especialmente sobre sua participação no sequestro e assassinato de um adolescente. De acordo com documentos da ação, a defesa pede ainda que cenas sejam excluídas e questiona a maneira como ela foi retratada.

O crime em Mogi das Cruzes

O crime que marcou a trajetória de Sandra ocorreu em Mogi das Cruzes (SP), sua cidade natal. Em 2003, aos 20 anos, ela se envolveu no sequestro de Talisson Vinícius da Silva Castro, então com apenas 14 anos.

A quadrilha exigiu resgate de R$ 40 mil, mas reduziu o valor conforme percebeu que a família não poderia pagar. Mesmo depois de negociações, o adolescente foi executado com um tiro na cabeça e abandonado em terreno baldio, segundo investigações.

Sandra foi condenada a 27 anos de prisão por extorsão mediante sequestro seguido de morte — crime classificado como hediondo. Sua defesa afirma, entretanto, que ela não mandou executar o jovem, mas que atuou principalmente nas ligações com os familiares da vítima.

A série “Tremembé” e as alegadas distorções

Na série, Sandrão é retratada como figura central no planejamento do sequestro, inclusive como “mentora intelectual” do crime. Segundo ela, algumas cenas são inverídicas — como uma em que entrega uma arma a um menor para executar o crime.

A defesa argumenta que a Amazon não solicitou seu consentimento formal para uso de imagem e que ela só ficou sabendo da série pela imprensa.

Além disso, após a estreia, Sandrão registrou boletim de ocorrência relatando hostilidade nas ruas de Mogi das Cruzes. Segundo o BO, alguém a teria chamado de “lixo” em público, causando constrangimento e medo.

Processo em tramitação

A ação tramita na 1ª Vara Cível da Comarca de Mogi das Cruzes (SP). A Amazon, por sua vez, afirma que não comenta questões judiciais em andamento.

Para Sandrão, a veiculação da série representa um retrocesso em seu processo de ressocialização. A defesa alega que, por conta da repercussão, ela sofre ameaças e tem sua liberdade de ir e vir cerceada.

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