O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou a escolha do delegado Osvaldo Nico Gonçalves para assumir o comando da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP). Conhecido nacionalmente por sua atuação em casos de grande repercussão, Nico substitui Guilherme Derrite, que deixou o cargo para retomar seu mandato na Câmara dos Deputados a partir de 1º de dezembro.
Até então secretário-executivo da SSP, Nico — figura respeitada dentro da corporação e bastante midiática — acumula mais de quatro décadas de carreira. Aos 68 anos, é considerado um dos delegados mais populares e experientes do país, tendo atuado em episódios marcantes como o sequestro da filha de Silvio Santos (2001), o caso de injúria racial envolvendo o jogador Grafite (2005) e a prisão de Fabrício Queiroz (2020).
O episódio no Morumbi, em 2005, em que deu voz de prisão ao jogador argentino Leandro Desábato dentro de campo, rendeu destaque internacional e o consolidou como referência na Polícia Civil.
A trajetória de Nico começou cedo: ainda menino, trabalhava como engraxate na porta do 17º DP do Ipiranga, onde foi incentivado pelo delegado Aldo Galiano, responsável por inspirá-lo a seguir carreira policial. Ingressou oficialmente na Polícia Civil em 1979 e passou por alguns dos principais departamentos da instituição, como DEIC, GARRA, GER e DOPE, além de ajudar a fundar o Grupo de Operações Especiais (GOE) paulista.
Seu currículo inclui ainda o comando de grandes operações de segurança em eventos como a visita do Papa Bento XVI (2007) e a Copa do Mundo de 2014.
A escolha de Nico sinaliza continuidade no modelo de atuação adotado pela gestão Tarcísio e reforça o protagonismo da Polícia Civil nas estratégias de combate ao crime no estado.

Derrite deixa Secretaria de Segurança de SP e retorna à Câmara dos Deputados fortalecendo agenda da segurança pública
A decisão que já vinha sendo ventilada nos bastidores agora se confirma: o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deixa o comando da pasta e reassume sua cadeira na Câmara dos Deputados. A movimentação marca um novo capítulo na trajetória política do parlamentar, que se prepara para ampliar sua atuação em ano pré-eleitoral e mira espaço estratégico no debate nacional sobre segurança.
A saída ocorre logo após Derrite consolidar uma das principais vitórias de sua carreira recente no Congresso — a relatoria e aprovação do PL Antifacção, que obteve 370 votos favoráveis contra 110. O projeto endurece o combate ao crime organizado e foi tema de intensa disputa ideológica, tornando-se vitrine política para o deputado. Aliados relatam que a decisão foi alinhada com o governador Tarcísio de Freitas, que gostaria de mantê-lo no posto, mas reconheceu o peso do avanço político do secretário.
Analistas avaliam que Derrite retorna ao Legislativo no auge de capital político e visibilidade. Para o cientista político Elias Tavares, o deputado vive “o melhor momento da carreira” e se reposiciona com estratégia ao deixar o cargo justamente quando a segurança pública se consolida como tema central da pré-campanha de 2026. Deritte já declarou que pretende disputar o Senado, mas especialistas não descartam que, em eventual candidatura de Tarcísio à Presidência, ele possa até mesmo entrar no páreo pelo governo paulista.
O retorno também fortalece a chamada bancada da bala e reaquece pautas de endurecimento penal que perderam tração após 2022. Com base eleitoral consolidada e discurso alinhado ao combate ao crime organizado, Derrite tende a assumir protagonismo em debates como ampliação de penas, enquadramento de facções e milícias como organizações terroristas e flexibilização de ações policiais em operações.

Apesar do avanço político, a trajetória do parlamentar também carrega controvérsias. Em 2023, deputados de partidos de esquerda protocolaram pedido de impeachment contra ele, citando denúncias de violência policial, mortes em ações e suposta omissão. Derrite rebateu as acusações e classificou a iniciativa como “perseguição política”.
A saída do comando estadual não encerra os embates — apenas desloca o palco. A partir de agora, o Congresso será o centro de sua próxima batalha.
A segurança pública segue no centro do tabuleiro. Derrite também.



