Manoel Carlos, mestre das emoções da TV brasileira, morre aos 92 anos no Rio de Janeiro

O Brasil se despede de um dos maiores nomes da dramaturgia televisiva. Manoel Carlos, autor responsável por algumas das novelas mais marcantes da história da TV, morreu neste sábado (10/01), aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pela família. A causa da morte não foi divulgada.

Conhecido carinhosamente como Maneco, o autor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde realizava tratamento contra a Doença de Parkinson. Nos últimos anos, a enfermidade comprometeu de forma significativa suas funções motoras e cognitivas. Desde 2014, Manoel Carlos vivia recluso e afastado da vida pública.

Com uma carreira que atravessou décadas, Manoel Carlos construiu um estilo próprio, marcado por tramas intimistas, conflitos familiares profundos e personagens femininas fortes — especialmente as icônicas “Helenas”, protagonistas de diversas de suas novelas. Obras como Laços de Família, Mulheres Apaixonadas, Por Amor, Páginas da Vida e Viver a Vida consolidaram seu nome como referência absoluta da teledramaturgia brasileira.

Embora tenha nascido em São Paulo, em 1933, Manoel Carlos sempre se definiu como “carioca de coração”. O Rio de Janeiro, especialmente bairros como o Leblon, não era apenas cenário, mas parte essencial de suas narrativas, funcionando quase como um personagem recorrente em suas histórias.

A trajetória artística de Maneco começou cedo, ainda na adolescência, como ator no teleteatro. Ao longo da carreira, atuou como ator, diretor, produtor, roteirista e escritor, passando por diversas emissoras até se consolidar na TV Globo, onde estreou como diretor-geral do Fantástico, em 1972. Posteriormente, tornou-se um dos autores mais prestigiados da casa.

Além do sucesso artístico, Manoel Carlos também se destacou por inserir em suas novelas debates sociais relevantes, como violência doméstica, alcoolismo, preconceito, inclusão social e campanhas de saúde, ampliando o alcance cultural e educativo da televisão aberta.

Manoel Carlos deixa duas filhas: a atriz Júlia Almeida e a roteirista Maria Carolina, sua parceira em diversos trabalhos. Outros três filhos faleceram ao longo de sua vida, perdas que marcaram profundamente sua trajetória pessoal.

O velório será restrito a familiares e amigos próximos. Em nota, a família agradeceu as manifestações de carinho e pediu respeito à privacidade neste momento de luto.

Com sua morte, o Brasil perde um autor que transformou sentimentos cotidianos em grandes histórias e ajudou a moldar gerações de telespectadores por meio da emoção, da sensibilidade e da força de seus personagens.

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