Espaço histórico no centro da capital teve investimento de R$ 42 milhões e voltou a exibir cores originais da década de 1930; local recebe 5 mil pessoas por dia.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, entregou nesta sexta-feira (30) a restauração da histórica Estação Júlio Prestes, na região central da capital paulista. O espaço é ponto de partida da Linha 8-Diamante de trens metropolitanos e recebe diariamente mais de 5 mil passageiros.
A obra uniu preservação histórica e modernização da infraestrutura, com investimento de R$ 42 milhões da concessionária ViaMobilidade, responsável pela operação da linha. Ao todo, mais de 14 mil metros quadrados foram revitalizados ao longo de 14 meses de trabalho, envolvendo cerca de 250 profissionais.
Durante a cerimônia, o governador destacou que a recuperação do patrimônio integra o plano estadual de requalificação do centro da cidade.
“A reabilitação do centro histórico é prioridade para nós. Dos equipamentos da região da Luz, a Estação Júlio Prestes era o que faltava para receber a restauração. Hoje entregamos a obra à população com R$ 42 milhões em investimentos”, afirmou.
Tarcísio também mencionou projetos em andamento na região, como a criação de um Hub de Tecnologia para startups e o leilão do novo centro administrativo do Estado, previsto para o fim de fevereiro.
Resgate da identidade original
Inaugurada em 1939, a estação teve sua identidade arquitetônica recuperada com base em estudos técnicos e registros históricos. Fachadas, esquadrias e elementos decorativos foram restaurados com materiais compatíveis ao período original da construção.
Entre as intervenções estão a recuperação dos relógios históricos instalados em 1972, substituição de portas fora do padrão por modelos compatíveis com o projeto original e restauração dos vidros aramados. A fachada também recebeu verniz antipichação.
Grande parte das obras estruturais ocorreu durante a madrugada para minimizar impactos na circulação de passageiros.
Descoberta das cores originais
Um dos destaques da restauração foi a identificação das cores originais do prédio, projetado pelo arquiteto Christiano Stockler das Neves. Restauradores removeram até seis camadas de tinta para encontrar as tonalidades utilizadas originalmente.
Os estudos revelaram que a estrutura metálica da estação era originalmente pintada em tom vinho, e não cinza, cor adotada em repinturas feitas a partir da década de 1950. A tonalidade dialogava com os antigos vagões da Estrada de Ferro Sorocabana.
Nas áreas internas, voltou a ser utilizada a cor conhecida como “flor de laranjeira”, combinada com nuances rosadas, seguindo padrões aplicados ainda na década de 1920. Foram utilizadas tintas minerais à base de silicato, mais compatíveis e duráveis para obras de preservação histórica.

Novos usos e achado histórico
A reforma também permitiu a recuperação de espaços internos antes subutilizados. A antiga sala de espera da segunda classe, que servia como depósito, foi restaurada e transformada em café. O piso original de taco passou por sete etapas de recuperação.
Durante intervenções de acessibilidade, operários encontraram um antigo “para-trem”, estrutura metálica usada como barreira de fim de trilho. O objeto foi preservado e permanece exposto ao público.
Modernização e acessibilidade
Além da recuperação histórica, a estação recebeu melhorias estruturais, como adequação de rampas e infraestrutura para pessoas com deficiência, modernização das redes elétrica e hidráulica e instalação de câmeras integradas ao novo Centro de Controle Operacional.
Os jardins externos também foram revitalizados, criando novas áreas de convivência e contribuindo para a melhoria do entorno urbano.
Patrimônio ferroviário paulista
Projetada entre 1930 e 1938 e tombada nos níveis federal, estadual e municipal, a Estação Júlio Prestes é símbolo da história ferroviária paulista. Durante décadas, foi uma das principais portas de entrada da capital para passageiros vindos do interior do Estado.
A restauração devolve ao prédio suas características originais e reforça o movimento de revitalização do centro da cidade, integrando memória histórica e mobilidade urbana contemporânea.



