Vaticano – Em mensagem divulgada para a Quaresma de 2026, o papa Leão XIV fez um apelo direto aos fiéis para que o período de preparação para a Páscoa inclua um “jejum da língua”, com a redução de palavras ofensivas, ataques verbais e discursos de ódio, especialmente nas redes sociais, nos debates políticos e nos meios de comunicação. A proposta amplia o sentido tradicional do jejum, que costuma estar associado apenas à abstinência de alimentos.
A Quaresma, que tem duração de 40 dias entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa, é considerada pela Igreja Católica um tempo de conversão, reflexão, oração e penitência. No texto, o pontífice reforça que a vivência quaresmal deve atingir não apenas práticas individuais, mas também a forma como as pessoas se relacionam em espaços públicos e digitais.
Segundo Leão XIV, o excesso de agressividade no discurso cotidiano tem contribuído para a deterioração das relações sociais, o aumento da polarização e a normalização de ataques pessoais, sobretudo no ambiente virtual e no debate político. Por isso, ele propõe que os fiéis adotem uma postura ativa de contenção verbal, cultivando a gentileza, o respeito e a escuta do outro.
Na mensagem, o papa também destaca a importância da escuta como elemento central da espiritualidade quaresmal. Para o líder da Igreja Católica, aprender a ouvir — a Palavra de Deus e o clamor dos mais vulneráveis — é um passo essencial no caminho de conversão pessoal e comunitária. A escuta, segundo o pontífice, deve se traduzir em maior sensibilidade diante do sofrimento social e das desigualdades.
Outro ponto abordado é o sentido mais amplo do jejum. Além da privação de alimentos, Leão XIV defende a adoção de um estilo de vida mais sóbrio, com renúncia a excessos e comportamentos que ferem o próximo. Nesse contexto, o controle da linguagem é apresentado como um exercício concreto de disciplina interior e responsabilidade ética, com impacto direto na convivência social.
O pontífice também reforçou a dimensão comunitária da Quaresma, convidando paróquias, grupos religiosos e famílias a vivenciarem o período de forma coletiva, com práticas de escuta, jejum e ações voltadas à promoção da justiça, da paz e da reconciliação. Para ele, a conversão não se limita ao âmbito individual, mas envolve o modo como as comunidades constroem o diálogo e enfrentam conflitos.
A mensagem ganha relevância em um cenário global marcado por discursos de ódio, desinformação e radicalização política. Ao propor um “jejum de palavras ofensivas”, o papa Leão XIV aponta para a necessidade de humanizar o debate público e resgatar a dimensão ética da comunicação, sugerindo que a Quaresma também seja um tempo de revisão das práticas digitais e do modo como as pessoas se expressam em espaços de visibilidade coletiva.



