O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comentou nesta quinta-feira (19/02) o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no desfile do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro.
Durante entrevista coletiva, o governador afirmou ter ficado satisfeito com o resultado. “Já vai tarde, rebaixamento muito bem-vindo. Estou muito feliz pelo rebaixamento”, declarou. Carioca, Tarcísio classificou o desfile como “horroroso, de péssimo nível e péssimo gosto” e disse que o enredo foi infeliz.
A Acadêmicos de Niterói estreou na elite do carnaval carioca no domingo (15/02) com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que retratou a trajetória política do presidente. O desfile também trouxe críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado político de Tarcísio.
Entre as alegorias, houve referências à prisão de Bolsonaro, condenado em setembro a 27 anos e 3 meses de prisão por participação em trama golpista relacionada às eleições de 2022. Uma ala intitulada “Neoconservadores em Conserva” também gerou reação de parlamentares da oposição, ao apresentar fantasias em formato de latas com rótulos como “família em conserva”.
Na avaliação do governador paulista, o desfile promoveu divisões. “Apostou no divisionismo, resolveu atacar a família, resolveu atacar os evangélicos. Eu me senti agredido, várias pessoas de bem se sentiram agredidas, famílias se sentiram agredidas”, afirmou.
Além das críticas ao conteúdo, a escola enfrentou problemas operacionais na dispersão, com alegorias presas na saída da avenida. O encerramento da apresentação teve correria, e um dos carros permaneceu no local após o término do desfile. Durante a apuração, realizada na quarta-feira (18), a agremiação recebeu apenas duas notas 10 e acabou rebaixada.
Ao final da apresentação, Lula desceu do camarote para cumprimentar o mestre-sala e a porta-bandeira da escola.
Questionamentos na Justiça
O desfile também foi alvo de pelo menos dez iniciativas judiciais que contestaram a homenagem ou pediam a devolução de recursos públicos repassados à escola. As ações foram protocoladas no Tribunal de Contas da União, na Justiça Federal e na Justiça Eleitoral.
Na quinta-feira (12/02), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos de liminar apresentados pelos partidos Novo e Missão contra Lula, o PT e a escola de samba.
Já na sexta-feira (13/02), a Comissão de Ética Pública da Presidência da República publicou recomendações sobre a participação de autoridades federais no Carnaval. Entre as orientações está a de que autoridades evitem manifestações que possam ser caracterizadas como propaganda eleitoral antecipada.
O episódio amplia o embate político em torno do carnaval carioca e reacende o debate sobre os limites entre manifestação cultural, uso de recursos públicos e posicionamento político em eventos de grande visibilidade nacional.



