A nova prisão do ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou a colocar o caso do Banco Master no centro da crise política em Brasília. Nos bastidores, cresce a expectativa de que o empresário possa negociar um acordo de delação premiada, o que ampliaria o alcance das investigações e poderia atingir autoridades, empresários e agentes públicos de diferentes esferas.
Paralelamente ao avanço das apurações, a discussão sobre a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o banco também tem provocado tensão no Congresso Nacional. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que uma eventual investigação parlamentar teria potencial para atingir “meio mundo” e revelar um esquema de grandes proporções.
Segundo ele, há relatos de que prefeituras e governos estaduais teriam sido pressionados a investir em títulos e ações ligados ao Banco Master, o que ampliaria o impacto político e institucional do caso. “Isso pode virar o mundo de ponta-cabeça. A gente nem sabe o que está por vir”, declarou durante entrevista ao programa Canal Livre.
Apesar das declarações e da pressão para a abertura da investigação, a criação da CPI enfrenta resistência dentro do próprio Congresso. De acordo com Costa Neto, há senadores contrários à instalação da comissão e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, estaria entre os articuladores que buscam evitar o avanço da proposta.
O dirigente do PL relatou ainda que parlamentares teriam condicionado o avanço de outras pautas legislativas à não criação da CPI, o que evidencia o clima de disputa política em torno do tema.
Outro ponto de divergência envolve o formato da comissão. Enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, defende a criação de uma CPI mista — formada por deputados e senadores —, parte do Senado prefere que a investigação seja conduzida exclusivamente pela Casa.
Costa Neto afirmou que o próprio PL apoia a instalação da CPI, mesmo com possíveis conexões envolvendo aliados políticos. Entre os nomes citados nos bastidores está o de pessoas ligadas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que tiveram relação com a administração do Banco Master e realizaram doações eleitorais consideradas legais.
Analistas políticos avaliam que o caso pode ganhar novas dimensões caso Vorcaro decida colaborar com as investigações. A possibilidade de uma delação premiada é vista como um fator que pode ampliar o alcance das apurações e revelar eventuais conexões entre o sistema financeiro, agentes públicos e campanhas eleitorais.
Diante desse cenário, cresce a avaliação de que o caso Banco Master pode se transformar em um dos principais temas do debate político nacional e influenciar diretamente o ambiente eleitoral de 2026, dependendo do avanço das investigações e da eventual abertura de uma CPI no Congresso.



