O surto de hantavírus registrado no navio de cruzeiro MV Hondius segue mobilizando autoridades sanitárias internacionais e ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (7/05). A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou oficialmente cinco casos de hantavírus e três mortes ligadas ao surto, além de outros três casos suspeitos sob investigação.
O navio, operado pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, realizava uma expedição marítima iniciada em Ushuaia, na Argentina, com destino final previsto para Cabo Verde e posteriormente Ilhas Canárias, na Espanha. O cruzeiro ficou no centro da atenção mundial após a confirmação da circulação da cepa Andes do hantavírus, considerada rara e a única conhecida com potencial de transmissão entre humanos em situações específicas de contato próximo e prolongado.
As investigações avançaram após autoridades sanitárias identificarem pacientes com suspeita da doença em países que não tiveram ligação direta com o navio. França, Holanda, Singapura e Estados Unidos monitoram pessoas que tiveram contato com passageiros contaminados durante voos internacionais e escalas realizadas após o desembarque de parte dos ocupantes do cruzeiro.
Segundo governos europeus, aproximadamente 40 passageiros desembarcaram na ilha de Santa Helena, território britânico localizado no Atlântico Sul, antes da confirmação oficial do surto. Destes, 29 não retornaram ao navio, o que elevou a preocupação das autoridades internacionais sobre uma possível disseminação da doença para outros países.

Entre os novos casos monitorados estão duas pessoas isoladas em Singapura, uma comissária da companhia aérea KLM internada em Amsterdã após contato com a viúva de uma das vítimas fatais e pacientes acompanhados nos estados norte-americanos da Califórnia, Geórgia, Arizona e Texas.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que equipes internacionais seguem realizando rastreamento de contatos para tentar conter qualquer possibilidade de disseminação do vírus. Segundo ele, o risco global de pandemia continua considerado baixo.
Especialistas explicam que o hantavírus normalmente é transmitido por meio da inalação de partículas contaminadas presentes na urina, saliva e fezes de roedores silvestres infectados. A transmissão entre pessoas é extremamente rara e está associada especificamente à cepa Andes, identificada neste surto.
Os sintomas iniciais incluem febre alta, dores musculares, dor de cabeça, cansaço intenso e náuseas. Em casos graves, a doença pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória aguda e comprometimento cardiovascular.
No Brasil, o Ministério da Saúde registrou 2.377 casos confirmados de hantavírus entre 1993 e 2024, com 937 mortes. A maioria das ocorrências aconteceu em áreas rurais.

Atualmente, não existe vacina específica contra o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte médico intensivo, principalmente respiratório, e o diagnóstico precoce é considerado fundamental para aumentar as chances de recuperação.
As autoridades sanitárias internacionais seguem monitorando passageiros e tripulantes do MV Hondius, enquanto o navio se desloca para as Ilhas Canárias sob acompanhamento médico rigoroso.



