A Prefeitura de Mogi das Cruzes iniciou a restauração da Casa do Imigrante, localizada no Parque Centenário da Imigração Japonesa, em uma ação que une preservação histórica, qualificação profissional e valorização da memória da comunidade japonesa que ajudou a construir a história do município. A iniciativa integra as atividades do Programa Oficina Escola de Patrimônio Cultural (POEP) e marca as comemorações pelos 118 anos da imigração japonesa no Brasil, celebrados em 18 de junho.
O trabalho está sendo desenvolvido por alunos do programa, que passaram por formação teórica em restauro, técnicas construtivas tradicionais, educação patrimonial e utilização de ferramentas e equipamentos de proteção. Agora, os participantes colocam em prática os conhecimentos adquiridos, atuando diretamente na recuperação da estrutura histórica sob supervisão técnica especializada.
De acordo com a Secretaria Municipal de Cultura, os alunos estão sendo acompanhados pelo arquiteto e professor Edison Hiroyama, além de dois monitores que participaram da primeira turma do programa e foram contratados para auxiliar na formação dos novos alunos. A coordenação é do Departamento de Patrimônio Cultural, dirigido por Ubirajara Nunes.
A intervenção prevê a reconstrução das paredes de pau a pique utilizando técnicas tradicionais de construção e a recuperação da cobertura com materiais típicos da época, como sapê ou piaçava. Os trabalhos começaram em 1º de junho e devem ser concluídos até o próximo dia 18, data que marca a chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil pelo Porto de Santos, em 1908, a bordo do navio Kasato Maru.
Após a revitalização, a Casa do Imigrante passará a abrigar um acervo de ferramentas agrícolas utilizadas pelas primeiras famílias japonesas que se estabeleceram em Mogi das Cruzes. O espaço deverá se transformar em mais um importante ponto de preservação da memória e da contribuição da comunidade nipônica para o desenvolvimento da cidade.
A secretária municipal de Cultura, Eliana Mangini, destacou a importância da iniciativa para a formação dos participantes e para a preservação do patrimônio histórico. Segundo ela, o programa permite que os alunos desenvolvam habilidades técnicas enquanto contribuem diretamente para a conservação de bens culturais do município.

Criado a partir de uma diretriz prevista no Plano Municipal de Cultura, aprovado pela Lei Municipal nº 7.536/2019, o Programa Oficina Escola de Patrimônio Cultural tem como objetivo fortalecer as ações de preservação da memória e capacitar jovens e adultos para atuar na recuperação e conservação de patrimônios históricos.
Nesta edição, o programa oferece 15 vagas com bolsa-auxílio destinadas prioritariamente a pessoas em situação de vulnerabilidade social, conforme critérios do Programa Municipal de Geração de Trabalho e Renda (Conduz). Também foram disponibilizadas cinco vagas para alunos ouvintes, voltadas a estudantes e profissionais das áreas de Arquitetura, Engenharia e Edificações.
Além das técnicas de restauro, os participantes recebem formação em economia solidária, elaboração de plano de negócios, marcenaria, pintura e conservação de imóveis históricos. As aulas são realizadas no Museu Mogiano, instalado no Casarão do Carmo, no Centro Histórico de Mogi das Cruzes.
A atual turma iniciou as atividades em março e seguirá até novembro. A cerimônia de formatura e entrega dos certificados está prevista para o dia 11 de dezembro.
Crédito das imagens: Divulgação/Prefeitura de Mogi das Cruzes.



