Ex-primeira-dama afirmou que colocou uma “pedra” na divergência com o candidato à Presidência e deverá participar de eventos ao lado dele durante a corrida eleitoral
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro se reencontraram na terça-feira (11/08), em Brasília, durante um evento que reuniu candidatos ao Senado e integrantes do Partido Liberal. A reunião marcou uma reaproximação pública depois de semanas de tensão, desencontros e especulações sobre o papel de Michelle na campanha presidencial do enteado.
Michelle participou de gravações destinadas à campanha de Flávio, candidato do PL à Presidência da República. Ao conversar com jornalistas, ela confirmou que os dois trataram das divergências recentes e afirmou que colocaram uma “pedra” no episódio.
Segundo a ex-primeira-dama, desentendimentos podem acontecer em qualquer família, mas a prioridade agora é fortalecer a união política. Ela também declarou que não guarda mágoas e que pretende seguir apoiando Flávio, principalmente pelas redes sociais e por meio das atividades do PL Mulher.
A crise entre os dois ganhou repercussão nacional durante as articulações eleitorais no Ceará. Michelle se posicionou contra a aproximação do PL com Ciro Gomes e defendeu a candidatura de Priscila Costa. Flávio reagiu publicamente às críticas e afirmou, naquele momento, que a postura da ex-primeira-dama havia provocado constrangimento dentro do grupo político.
O encontro em Brasília foi a primeira aparição conjunta dos dois desde a reconciliação pública. Além da conversa, Michelle e Flávio gravaram materiais eleitorais em uma tentativa de demonstrar unidade no início da campanha.
De acordo com fontes da equipe de Flávio ouvidas pelo Metrópoles, Michelle deverá participar de pelo menos três eventos ao lado do candidato durante a corrida presidencial. A previsão ainda poderá ser alterada conforme o avanço da agenda eleitoral.
Durante as gravações, Flávio afirmou que Michelle poderá ter “acesso direto à Presidência” para apresentar demandas do Distrito Federal, caso ele seja eleito presidente e ela conquiste uma vaga no Senado.
A participação da ex-primeira-dama, no entanto, não deverá ficar restrita aos palanques. A campanha pretende aproveitar a presença e o alcance de Michelle nas redes sociais para ampliar a divulgação da candidatura de Flávio.
Vídeos, publicações e manifestações de apoio ao candidato deverão ser os principais instrumentos usados por Michelle durante o período eleitoral. Nos bastidores, integrantes da campanha também esperam que ela ajude a aproximar lideranças femininas do PL e representantes do movimento conservador.
A estratégia busca ampliar o engajamento entre as eleitoras e fortalecer a presença de Flávio em um segmento no qual Michelle mantém influência política. Ela também deverá atuar por meio do PL Mulher e no apoio a candidaturas femininas ligadas ao partido.
Questionada sobre sua relação com Carlos Bolsonaro, Michelle adotou um tom cauteloso. Disse que procura viver “um dia de cada vez” e reafirmou que não guarda ressentimentos. A relação entre os dois já foi marcada por outros episódios de tensão e afastamento.
O evento em Brasília também reuniu candidatos ao Senado apoiados pelo grupo político. A estratégia da campanha de Flávio passa pela tentativa de ampliar a representação de aliados na Casa, considerada decisiva para a aprovação de projetos e para os embates políticos envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Michelle disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Sua presença ao lado de Flávio é considerada importante pela campanha para aproximar o candidato do eleitorado feminino e da base conservadora ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da sinalização de reconciliação, Michelle deixou claro que pretende preservar sua autonomia política. Ao comentar a composição da chapa presidencial, declarou que gostaria que uma mulher ocupasse a vaga de vice, mas afirmou esperar que o escolhido tenha atenção especial às pautas femininas.
A reaproximação ocorre às vésperas do início oficial da campanha eleitoral e busca transmitir uma imagem de unidade depois de divergências que expuseram publicamente as disputas internas da família Bolsonaro.


