Artista integrou o primeiro elenco da emissora e construiu uma trajetória de mais de cinco décadas no teatro, no rádio, na televisão e no cinema.
O ator e diretor Gracindo Jr. morreu na noite desta terça-feira (1/09), aos 83 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro. Segundo informações confirmadas por Pedro Gracindo, filho do artista, a morte ocorreu por causas naturais.
O velório será aberto ao público e está marcado para esta quinta-feira, 3 de setembro, a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro. A cremação está prevista para as 14h10.
Gracindo Jr. deixa a esposa, Daisy Poli, com quem viveu por mais de 50 anos, cinco filhos e sete netos.
Nascido Epaminondas Xavier Gracindo, em 21 de maio de 1943, no Rio de Janeiro, ele era filho do consagrado ator Paulo Gracindo, que morreu em 1995. Embora tenha cursado Psicologia, escolheu seguir a carreira artística e dedicou mais de cinco décadas ao rádio, ao teatro, à televisão e ao cinema.
Sua trajetória profissional começou ainda na adolescência. Aos 15 anos, fez um teste para trabalhar na Rádio Nacional, onde o pai já era conhecido pelas radionovelas e pelos programas de auditório. Aprovado, atuou como ator, redator e disc-jóquei.
Em 1961, estreou no teatro com a peça “A Escada”, de Oswald de Andrade. Quatro anos depois, fez parte do primeiro elenco da TV Globo e participou da inauguração da emissora, em abril de 1965.
Na televisão, esteve em produções que marcaram diferentes períodos da teledramaturgia brasileira, como “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “A Próxima Atração”, “Os Ossos do Barão”, “O Bem-Amado” e “O Casarão”.
Em algumas dessas produções, dividiu a cena com o pai, Paulo Gracindo. Em “O Casarão”, os dois interpretaram o mesmo personagem, João Maciel, em diferentes fases da vida. O trabalho representou um dos primeiros grandes papéis de Gracindo Jr. na televisão.

Além da atuação, também construiu uma carreira atrás das câmeras. No final da década de 1970, passou a trabalhar na supervisão e na direção de novelas da Globo. Participou de produções como “A Sucessora”, “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”.
Na década de 1980, dirigiu “Os Trapalhões” e esteve entre os profissionais responsáveis pelos primeiros videoclipes musicais produzidos para o programa “Fantástico”. Também trabalhou na TV Manchete, onde participou de produções como “A Marquesa” e “Dona Beija”.
Ao retornar à Globo, atuou em títulos como “Tenda dos Milagres”, “Mandala”, “O Salvador da Pátria”, “Rainha da Sucata”, “Deus nos Acuda”, “Explode Coração”, “Anjo de Mim”, “Esplendor” e “Celebridade”. A partir de 2006, também participou de novelas e minisséries da Record, entre elas “Cidadão Brasileiro”, “Poder Paralelo” e “Rei Davi”.

No teatro, Gracindo Jr. participou de mais de 20 espetáculos como ator, produtor ou diretor. Em 1980, escreveu e atuou na peça “Paulo Gracindo, Meu Pai”, criada em homenagem aos 50 anos de carreira do pai.
Sua trajetória no cinema reuniu trabalhos em filmes como “Os Homens que Eu Tive”, “Os Trapalhões na Serra Pelada”, “O Trapalhão na Arca de Noé”, “Floresta das Esmeraldas”, “Bufo e Spallanzani”, “Primo Basílio” e “Segurança Nacional”.
Com uma carreira marcada pela versatilidade, Gracindo Jr. deixa uma contribuição importante para a história da televisão e da dramaturgia brasileira. Sua trajetória atravessou gerações e reuniu trabalhos como ator, diretor, produtor, apresentador e escritor.



