Prefeito de Itaquaquecetuba afirma que encontro teve como objetivo discutir prestação de contas eleitorais. Visita ocorreu em meio a investigação do Ministério Público sobre possíveis regalias concedidas ao ex-vereador.
O prefeito de Itaquaquecetuba, Eduardo Boigues (PL), confirmou que visitou o ex-vereador e presidente estadual do União Brasil, Milton Leite, na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, no dia 08/10. O encontro foi mencionado em uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura possíveis benefícios irregulares concedidos ao político durante sua prisão.
Em nota divulgada por sua assessoria, Boigues afirmou que a visita teve finalidade exclusivamente eleitoral e administrativa, relacionada à prestação de contas de uma aliança política formada para as eleições de 2026.
Milton Leite está preso temporariamente desde 18/09, no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo e no poder público.
Prefeito afirma que reunião tratou de prestação de contas eleitorais
Segundo a manifestação da assessoria de Eduardo Boigues, o encontro foi realizado para discutir a prestação de contas de uma parceria eleitoral envolvendo o União Brasil e o Progressistas (PP), partidos que integram a Federação União Progressista.
As legendas participaram de uma articulação política de apoio à candidatura de Marcello Barbosa (Republicanos) a deputado estadual nas eleições de 2026.
A nota destaca que Milton Leite permanece como presidente estadual do União Brasil e liderança da federação partidária.
O prefeito afirmou que nenhum outro assunto foi tratado durante a visita.
Visita ocorreu fora do expediente da Prefeitura
Eduardo Boigues também esclareceu que esteve na unidade policial fora do horário de expediente da Prefeitura de Itaquaquecetuba.
Segundo sua assessoria, o prefeito não encontrou restrições para entrar no local e atribuiu a facilidade de acesso à sua experiência de mais de 25 anos como delegado de Polícia.
A declaração ocorre em meio aos questionamentos sobre as condições em que autoridades e outras pessoas tiveram acesso a Milton Leite durante o período de prisão.
A investigação do Ministério Público busca esclarecer se houve descumprimento das regras de visitação e eventual favorecimento ao ex-vereador.
Ministério Público investiga possíveis regalias na cadeia
Na sexta-feira (16/10), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, realizou uma operação para investigar suspeitas de benefícios indevidos a Milton Leite na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na unidade prisional, no 1º Distrito Policial e em um imóvel residencial no município.
Entre os pontos investigados estão visitas de pessoas sem vínculo familiar fora dos dias e horários permitidos, possível entrada de objetos não autorizados e suspeitas de favorecimento por servidores.
Durante a operação, foram apreendidos aproximadamente R$ 155 mil e US$ 10 mil relacionados a um carcereiro investigado.
As apurações procuram identificar a origem dos valores e esclarecer se houve práticas ilícitas na unidade.
Três delegados, investigador e carcereiro foram afastados
No sábado (17/10), a Polícia Civil afastou cinco servidores que atuavam em Mogi das Cruzes: três delegados, um investigador e um carcereiro.
A medida foi adotada após depoimentos prestados à Corregedoria Geral da Polícia Civil, no contexto das investigações sobre possíveis favorecimentos a presos.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que instaurou procedimentos de investigação criminal e disciplinar.
O afastamento dos servidores é uma medida administrativa destinada a permitir a continuidade das apurações, sem representar, por si só, comprovação de responsabilidade.
Defesa de Milton Leite nega tratamento privilegiado
A defesa de Milton Leite nega que o ex-vereador tenha recebido regalias ou tratamento diferenciado na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes.
Os advogados afirmam que ele está submetido às mesmas regras e restrições aplicadas aos demais presos.
Milton Leite permanece preso temporariamente, enquanto prosseguem as investigações relacionadas à Operação Vectura Corrupta.
Até o momento, as suspeitas de favorecimento na unidade prisional seguem em apuração.
Boigues nega irregularidade e afirma estar à disposição da Justiça
Na manifestação pública, Eduardo Boigues ressaltou que a prisão de Milton Leite é temporária e que ainda não existe conclusão definitiva das investigações.
O prefeito também destacou a importância do princípio da presunção de inocência e afirmou respeitar o trabalho da imprensa, do Ministério Público e da Justiça.
Boigues negou ter praticado qualquer ato ilícito e declarou estar à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.
A visita do prefeito integra o conjunto de informações analisadas no contexto da investigação sobre as condições de custódia de Milton Leite. Até o momento, as informações divulgadas não permitem concluir que Eduardo Boigues tenha participado de eventuais irregularidades.
O caso segue sob investigação do Ministério Público e da Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo.


