Reportagem sobre suposta viagem aos Estados Unidos motivou checagens nas fronteiras; governo argentino nega entrada do senador e aeronave citada permanece em Puerto Iguazú.
A Polícia Federal apura, nesta terça-feira (27/10), se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil pela Argentina com a intenção de seguir aos Estados Unidos. A checagem começou após a divulgação de uma reportagem sobre uma suposta viagem do parlamentar, que recebeu uma ordem judicial para entregar seus passaportes e não deixar o país.
As verificações relatadas até o momento não encontraram passagem de Flávio pelos pontos regulares de controle migratório brasileiro. A corporação acionou autoridades argentinas para verificar a possível entrada do senador no país vizinho. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial de sua saída do Brasil.
A informação divulgada aponta que Flávio teria atravessado a fronteira utilizando a carteira de identidade e seguiria para os Estados Unidos em um avião particular a partir de Puerto Iguazú, na província de Misiones. O relato, entretanto, não comprova que o senador estivesse no aeroporto ou a bordo da aeronave.
O avião citado é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa Baires Fly. Segundo informações atribuídas a autoridades aeroportuárias argentinas, a decolagem não ocorreu porque um dos quatro passageiros previstos não compareceu. A Polícia de Misiones informou que a aeronave permanecia em Puerto Iguazú. Esses registros não confirmam a presença de Flávio entre os passageiros.
Negativas e versões de aliados
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, negou que ele tenha deixado o Brasil. “Não saiu”, afirmou.
Eduardo Bolsonaro também negou a informação. O irmão do senador ironizou a notícia e acrescentou: “Óbvio que é mentira”.
Os relatos de outros aliados são contraditórios. Dois interlocutores disseram, após contato com a segurança do parlamentar, que ele estava em casa. Outros dois afirmaram que Flávio teria atravessado a fronteira e pretendia seguir aos Estados Unidos. Nenhuma dessas versões representa uma confirmação oficial do paradeiro do senador.
O governo argentino também contestou a notícia e negou tanto a entrada de Flávio no país quanto a decolagem para os Estados Unidos de um avião com as características divulgadas.
Ordem para entregar os passaportes
Na segunda-feira (26/10), Flávio declarou que foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O senador afirmou que cumpriria a medida e que nunca pensou em deixar o Brasil.
A determinação está relacionada à investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.
A possível viagem permanece sob apuração. Até o fechamento desta reportagem, não havia uma conclusão pública da Polícia Federal que confirmasse a saída do senador ou uma fuga.


