Em uma ação conjunta realizada nesta quarta-feira (23), a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram a “Operação Sem Desconto”, que revelou um esquema de fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação identificou descontos indevidos em aposentadorias e pensões, totalizando cerca de R$ 6,3 bilhões desde 2019.
Como resultado imediato, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi afastado do cargo por decisão judicial e, posteriormente, demitido por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A exoneração foi oficializada pela ministra em exercício da Casa Civil, Miriam Belchior.
As investigações apontam que o esquema envolvia descontos associativos não autorizados em benefícios previdenciários, com a participação de 11 entidades sindicais. Entre elas, destaca-se o Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), cujo vice-presidente é José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão do presidente Lula.
Além de Stefanutto, outros membros da alta cúpula do INSS foram afastados, incluindo o diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, o chefe da Procuradoria Federal Especializada, o coordenador-geral de Suporte ao Atendimento ao Cliente e o coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios. Um agente da própria Polícia Federal também está entre os investigados.
Durante a operação, foram cumpridos 211 mandados de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal. As autoridades apreenderam carros de luxo, joias, quadros e grandes quantias em dinheiro.
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, destacou que a operação visa proteger os aposentados, vítimas de um esquema que se aproveitou de sua vulnerabilidade. Ele ressaltou que os descontos eram realizados sem o consentimento dos beneficiários, configurando uma grave violação dos direitos dos segurados.
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, responsável pela indicação de Stefanutto ao cargo, assumiu a responsabilidade pela nomeação, mas pediu cautela para não condenar o ex-presidente do INSS antes da conclusão das investigações.
O governo ainda não anunciou o substituto de Stefanutto na presidência do INSS. A expectativa é de que o novo nome seja escolhido nos próximos dias, com o compromisso de restaurar a confiança na instituição e garantir a proteção dos direitos dos aposentados e pensionistas.
A “Operação Sem Desconto” segue em andamento, e novas informações serão divulgadas conforme o avanço das investigações. O caso reforça a necessidade de vigilância constante sobre os órgãos responsáveis pela gestão dos benefícios previdenciários, essenciais para milhões de brasileiros.



