A Prefeitura de Mogi das Cruzes encaminhou ao Governo do Estado de São Paulo nesta terça-feira (20/05) um ofício solicitando a ampliação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo. A medida visa atender ao crescente número de casos graves que chegam às unidades de urgência e emergência do município, com destaque para a área pediátrica, que tem registrado aumento expressivo de pacientes com doenças respiratórias.
O pedido foi endereçado ao secretário estadual da Saúde, Eleuses Paiva, e ao diretor técnico de Saúde III do Departamento Regional de Saúde I, Márcio Roberto de Lúcio. No documento, a Prefeitura de Mogi aponta a necessidade da implantação de 30 novos leitos no Hospital Luzia, sendo 20 para adultos e 10 pediátricos. A unidade é referência para atendimentos de alta complexidade não apenas para Mogi, mas para todos os municípios do Alto Tietê.
Segundo o vice-prefeito Téo Cusatis, o cenário atual é de superlotação nas unidades municipais. “Estamos verificando um aumento significativo na procura pelos atendimentos de urgência, principalmente entre as crianças. Isso se deve, em grande parte, à elevação de doenças respiratórias características do outono e inverno, que muitas vezes evoluem para casos que exigem internação hospitalar imediata”, alertou.
Pressão sobre o sistema municipal
Dados do Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo (Siresp), antigo Cross, revelam que 28 crianças aguardavam por vaga em leitos pediátricos na última atualização. Dessas, 23 (82%) estavam com problemas respiratórios; 21 (75%) precisavam de internação em ala pediátrica e sete (25%) de UTI. Apenas 46% dessas crianças são de Mogi. A maioria – 54% – reside em outros municípios da região, evidenciando o papel regional da cidade no atendimento.
Somente entre março e abril, o número de atendimentos no Pró-Criança e no Pronto Atendimento Infantil do Hospital Municipal saltou de 13.798 para 15.553. Esse crescimento preocupa a administração municipal, que aponta o esgotamento da capacidade da rede para casos que exigem suporte intensivo.
A secretária municipal de Saúde, Rebeca Barufi, afirma que a situação é crítica. “As UPAs estão atuando como unidades de internação improvisadas, com pacientes ficando em observação por mais de 12 horas. Isso compromete a qualidade da assistência e a segurança dos pacientes. É fundamental ampliar a estrutura hospitalar especializada”, destaca.
Casos graves nas UPAs
De janeiro a abril deste ano, as UPAs de Mogi realizaram 217.109 atendimentos. Desses, 1.007 foram casos graves, com necessidade de estabilização imediata. Além disso, 3.509 pacientes ficaram em observação prolongada, número que evidencia a sobrecarga dos serviços de média complexidade.
As unidades têm recebido pacientes com quadros de alta gravidade, como AVC, infarto, sepse e insuficiência respiratória aguda, que exigem leitos de UTI. No mesmo período, foram solicitadas 1.778 transferências hospitalares, das quais 683 foram classificadas como “vaga zero” — quando há necessidade imediata de internação em UTI, mas não há leito disponível.
Hospital Luzia: referência sobrecarregada
Mesmo operando com sua capacidade comprometida, o Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo foi responsável por absorver 58,33% dessas transferências. O número reforça a importância da unidade como referência regional para os casos mais graves.
A solicitação de ampliação de leitos também foi discutida em instâncias colegiadas de gestão da saúde pública, como a Comissão Intergestores Regional (CIR) e a reunião da Rede de Urgência e Emergência (RUE), realizadas neste mês de maio.
A expectativa é de que o Governo do Estado considere os dados técnicos e epidemiológicos apresentados pela Prefeitura de Mogi das Cruzes para viabilizar, com urgência, a ampliação dos leitos de UTI no Hospital Luzia, garantindo mais segurança e acesso à saúde para a população da região.



