Investigação aponta falhas graves no Samu de Mogi e resulta na demissão de três profissionais após morte de motociclista

Uma sindicância interna realizada pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), responsável pela gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Mogi das Cruzes, concluiu que houve falhas graves no atendimento prestado ao motociclista Manoel Ferreira da Silva Neto, de 33 anos, que morreu após ser deixado em via pública pela equipe de socorro no dia 10 de maio. O resultado da apuração levou à demissão de três profissionais envolvidos no caso.

A tragédia ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo nas redes sociais, mostrando a abordagem da equipe do Samu ao motociclista, que se recusou a ser encaminhado ao hospital. Horas depois, Manoel foi encontrado morto em uma avenida no distrito de Brás Cubas.

Segundo o relatório da sindicância, os erros cometidos pela equipe configuram falhas operacionais sérias, contradições nos relatos dos envolvidos e descumprimento de protocolos fundamentais do serviço de emergência, como a formalização da recusa de atendimento e o contato direto do paciente com a regulação médica.

Entre os apontamentos, o condutor da ambulância foi considerado omisso ao não reavaliar a gravidade da situação; a técnica de enfermagem não compareceu à oitiva e foi acusada de desrespeitar normas técnicas; e a médica reguladora foi considerada insegura ao não garantir o cumprimento dos procedimentos necessários.

Demissões e providências

A Diretoria Regional da INTS decidiu pela demissão dos três profissionais. “A medida visa garantir a segurança dos serviços prestados à população”, afirmou a instituição, em nota. A Prefeitura de Mogi das Cruzes, por sua vez, enviou um ofício à organização reforçando a gravidade do ocorrido e exigindo o início imediato das tratativas de indenização à família da vítima.

A administração municipal também notificou a Delegacia Seccional para ter acesso ao inquérito policial e se colocou à disposição para colaborar com a investigação. A possibilidade de sanções administrativas e contratuais contra o INTS também está sendo avaliada pela Prefeitura.

Repercussão na Câmara e ação judicial

O caso foi levado à Câmara Municipal, onde o presidente da Comissão Permanente de Saúde, vereador Otto Rezende (PSD), recebeu representantes do instituto, além do advogado da família, José Roberto Rodrigues. “A recusa do atendimento por parte do paciente não exime a equipe da responsabilidade legal de garantir o devido socorro”, afirmou o advogado, que já encaminhou o caso ao Ministério Público, solicitando apuração por homicídio culposo.

A viúva de Manoel, Nicole Santos Paião, tem exigido justiça desde a divulgação do caso. Em reunião com parlamentares, pediu a prisão dos envolvidos. “Não foi apenas uma falha. Foi uma omissão. Eu quero que eles sejam presos”, declarou.

O que diz a Secretaria de Saúde

A secretária municipal de Saúde, Rebeca Barufi, classificou o caso como isolado, mas grave. “Não aceitaremos nada menos do que justiça e um serviço de saúde que preserve vidas”, afirmou. Ela reiterou o compromisso da Prefeitura em acompanhar as investigações e garantir que situações como essa não se repitam no atendimento de urgência do município.

Enquanto a apuração criminal segue em andamento, a cidade de Mogi das Cruzes discute os rumos da qualidade no atendimento de emergência e a responsabilidade das organizações que prestam serviços à população.

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