A crise política envolvendo a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ganhou novos contornos nesta quarta-feira (4/06), com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou sua prisão preventiva após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a decisão, Zambelli deixou o país e está atualmente nos Estados Unidos, com planos de seguir para a Europa. A parlamentar alegou que pretende passar por tratamento médico e anunciou que irá se licenciar do mandato.
Para Moraes, há evidências concretas de que Zambelli está tentando se furtar à aplicação da lei penal, o que justifica a adoção de medidas mais severas. “A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é firme no sentido da decretação da prisão em razão da fuga do distrito da culpa”, afirmou o ministro no despacho.
Além da ordem de prisão, Alexandre de Moraes impôs uma série de medidas restritivas e punitivas:
- Bloqueio de passaportes, inclusive o passaporte diplomático da deputada;
- Suspensão de salários e demais verbas parlamentares, além do bloqueio de bens, ativos, contas bancárias e PIX;
- Bloqueio de veículos, incluindo aeronaves e embarcações em nome de Zambelli;
- Suspensão de todos os canais e perfis da parlamentar em redes sociais, como Facebook, Instagram, TikTok, LinkedIn, Gettr e X (antigo Twitter);
- Aplicação de multa diária de R$ 50 mil em caso de postagens que “reiterem condutas criminosas”;
- Inclusão do nome de Zambelli na lista vermelha da Interpol, a ser executada pela Polícia Federal.
A medida é mais um desdobramento dos inquéritos que apuram ações antidemocráticas, desinformação e ataques às instituições, com envolvimento de figuras públicas e parlamentares bolsonaristas.
O STF não informou se há acordo de cooperação internacional com os países onde a parlamentar poderá se deslocar, mas o pedido de inserção na lista da Interpol aumenta a pressão diplomática e jurídica.
A defesa de Zambelli ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão.



