Bogotá, Colômbia – 8 de junho de 2025 — A Colômbia acordou neste domingo sob forte comoção e tensão política após um atentado a tiros contra o senador e pré-candidato à presidência Miguel Uribe Turbay, do partido Centro Democrático, ocorrido na noite de sábado (7/06), durante um evento de campanha no bairro Fontibón, zona oeste de Bogotá.
Uribe foi atingido por dois disparos, socorrido por apoiadores ainda no local e levado em estado crítico ao Hospital Central de Bogotá, onde passou por cirurgia de emergência na madrugada deste domingo. Segundo o boletim médico mais recente, divulgado por volta das 10h da manhã, o político segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e seu estado ainda é considerado grave, porém estável.
Ataque pelas costas e prisão de adolescente armado
De acordo com o comunicado oficial emitido pelo partido Centro Democrático, homens armados se aproximaram pelas costas enquanto Miguel Uribe cumprimentava apoiadores em um parque público e efetuaram vários disparos. O momento do atentado foi registrado por celulares de pessoas que participavam do ato político, e as imagens se espalharam rapidamente pelas redes sociais, mostrando o senador ensanguentado sendo carregado até um carro particular para ser socorrido.
A Procuradoria-Geral da Nação, que assumiu a investigação, confirmou que um adolescente de 15 anos foi apreendido no local com uma arma de fogo ainda carregada. O jovem, cuja identidade está sendo mantida em sigilo por ser menor de idade, está sob custódia da Polícia Nacional e será ouvido na presença do Ministério Público.
Além de Uribe, outras duas pessoas ficaram feridas no atentado — um assessor da campanha e uma moradora da região, atingida de raspão. Ambos estão fora de perigo.
Instabilidade política e repúdio nacional
O atentado provocou uma onda de reações imediatas de líderes políticos, entidades civis e organismos internacionais. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou em nota oficial que “repudia com veemência o ataque contra a vida de um adversário político” e determinou o reforço da segurança de todos os pré-candidatos já declarados à presidência.
“Diferenças políticas jamais podem ser combatidas com violência. A democracia colombiana não pode se curvar ao medo ou ao ódio”, afirmou Petro.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) e a ONU também se manifestaram. A Missão de Verificação da ONU na Colômbia declarou estar acompanhando a situação e pediu uma investigação rápida, transparente e imparcial.
Histórico de violência política
Miguel Uribe, de 39 anos, é uma das principais apostas do setor conservador colombiano para as eleições presidenciais de 2026. Ex-secretário de Governo de Bogotá e senador desde 2022, é conhecido por seu discurso firme contra o narcotráfico, sua defesa da segurança pública e críticas constantes ao governo de esquerda liderado por Gustavo Petro.
O episódio reacende o alerta para a escalada da violência política na Colômbia, país que historicamente convive com ameaças, atentados e assassinatos de líderes públicos. Nas últimas décadas, figuras como Luis Carlos Galán, Jorge Eliécer Gaitán e outros políticos de destaque foram vítimas de assassinatos por motivações políticas.
Próximos passos
Enquanto o país acompanha com apreensão o estado de saúde de Uribe, a Justiça Eleitoral colombiana convocou uma reunião de emergência para discutir medidas de segurança para os demais pré-candidatos, inclusive a possibilidade de suspensão temporária de eventos públicos ao ar livre.
O Centro Democrático, por sua vez, anunciou a suspensão de todas as atividades de campanha por tempo indeterminado. A esposa de Uribe, Carolina López, publicou nas redes sociais uma mensagem de esperança: “Miguel é forte. Peço orações e respeito neste momento tão difícil. Nossa luta por uma Colômbia justa e segura não será interrompida pelo ódio.”
As autoridades seguem analisando imagens de câmeras de segurança e não descartam a possibilidade de o ataque ter sido premeditado por grupos organizados. O caso pode ter desdobramentos internacionais, caso se confirme o envolvimento de facções ou milícias atuantes em áreas urbanas.



