Luis Fernando Verissimo, mestre do humor e das crônicas, morre aos 88 anos em Porto Alegre

Autor de mais de 70 livros e criador de personagens imortalizados na TV, teatro e cinema, ele foi uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea.

O Brasil perdeu, neste sábado (30/08), um de seus escritores mais lidos e admirados. Luis Fernando Verissimo morreu aos 88 anos, em Porto Alegre (RS), vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia. O escritor estava internado desde o dia 11 de agosto na UTI do Hospital Moinhos de Vento.

Filho do também imortal Érico Verissimo, Luis Fernando construiu uma trajetória única na literatura, marcada por leveza, humor inteligente e observações afiadas sobre a vida cotidiana.

Herança literária e estilo único

Nascido em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936, viveu parte da infância nos Estados Unidos, quando o pai lecionava literatura brasileira em universidades da Califórnia. Sempre afirmou ter herdado de Érico a “informalidade” na escrita, característica que se tornou sua marca registrada.

Com mais de 5,6 milhões de exemplares vendidos, seus mais de 70 livros conquistaram leitores de diferentes gerações. A estreia foi em 1973, com O Popular. Entre os maiores sucessos estão Comédias da vida privada (1994), que virou série de TV, e As mentiras que os homens contam (2000).

Do papel para a tela e o palco

Além dos livros e colunas em jornais como O Globo, O Estado de S.Paulo e Zero Hora, Verissimo expandiu seu talento para outros formatos. Criou personagens memoráveis como Ed Mort, O Analista de Bagé e A Velhinha de Taubaté. Também esteve entre os roteiristas da histórica TV Pirata, na Globo, no final dos anos 1980.

Sua escrita atravessou linguagens: virou tirinha (As Cobras), série televisiva, peça teatral e inspiração para adaptações no cinema.

O cronista discreto e apaixonado por jazz

Apesar do sucesso e da repercussão nacional, manteve sempre uma vida discreta. Continuava morando na casa onde cresceu, em Porto Alegre, preservando o escritório do pai e cercado de livros, discos e um saxofone, instrumento que tocava desde a juventude.

Metódico, tinha a rotina dividida entre a escrita, o jazz e momentos em família. Tímido em público, dizia que se expressava melhor no papel do que diante de plateias. “Essa é uma das vantagens da crônica. A gente pode ser o que quiser escrevendo uma crônica”, afirmou em entrevista.

Legado

Verissimo deixa a esposa, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos. Mais do que números de vendas ou personagens célebres, deixa um legado de humor refinado, crítica social e ternura pela vida comum. Um escritor que conseguiu transformar a simplicidade do cotidiano em literatura imortal.

Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

Deixe uma resposta

Edit Template

Sobre

Fique por dentro das entrevistas exclusivas com os principais nomes em alta. Acesse agora e descubra o que está bombando no cenário atual!

Posts Recentes

  • All Post
  • Educação e Cultura
  • Eleições 2026
  • Emprego & Relações do Trabalho
  • Esporte
  • Meio Ambiente
  • Mundo Animal
  • Negócios
  • Obras
  • Outros
  • Política
  • Programa da Marilei
  • Saúde & Bem-estar
  • Segurança
  • Shows e Eventos
  • Tecnologia & Inovação
  • Utilidade Pública

© 2025 Criado por Consultigs Company

Descubra mais sobre Programa da Marilei

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo