Médico descarta queda da cama e afirma que Bolsonaro caiu ao tentar caminhar na cela da PF

O médico cardiologista Brasil Caiado afirmou nesta quarta-feira (7/01) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não caiu da cama, como divulgado inicialmente, mas sofreu a queda ao tentar caminhar dentro da sala da Polícia Federal onde cumpre pena, em Brasília. Segundo o médico, a versão inicial foi revista após novo relato do próprio ex-presidente.

De acordo com Caiado, Bolsonaro levantou durante a madrugada, tentou andar e acabou caindo. “Inicialmente pensamos que fosse uma queda da cama, mas, conversando com ele e reconstituindo os fatos, ficou claro que ele se levantou, tentou caminhar e caiu. Não foi apenas uma queda da cama”, explicou.

A nova informação contraria declarações anteriores, inclusive da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que havia relatado que o ex-presidente teria caído enquanto dormia e batido a cabeça em um móvel da cela.

Após o episódio, Bolsonaro foi submetido a exames médicos que apontaram um traumatismo craniano leve, sem identificação de lesões intracranianas. Segundo a equipe médica, não houve comprometimento neurológico e o ex-presidente permanece consciente e orientado.

Ainda conforme o cardiologista, Bolsonaro não apresentou episódios de confusão mental após a queda, mas relatou sintomas como tontura e sensação de desequilíbrio. “Houve uma dificuldade inicial para ele se lembrar exatamente do que tinha ocorrido. Em um primeiro momento, ele não conseguia reconstruir os fatos com clareza. Hoje, com mais calma, ele lembrou que havia se levantado e caído”, detalhou Caiado.

A equipe médica segue investigando as possíveis causas do mal-estar que antecedeu a queda. Uma das hipóteses levantadas é a interação medicamentosa, considerando os procedimentos recentes aos quais Bolsonaro foi submetido. Também chegou a ser considerada a possibilidade de uma crise convulsiva, hipótese que, segundo o médico, não se confirmou nos exames realizados.

“Em relação à crise convulsiva, foi apenas uma suspeita clínica inicial. Os exames não confirmaram. Fica como uma possibilidade remota, mas provavelmente não ocorreu”, afirmou o cardiologista.

Relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta que Bolsonaro apresentou apenas ferimentos leves e ausência de déficit neurológico, razão pela qual não houve indicação imediata de remoção hospitalar. A PF informou ainda que o ex-presidente segue sob observação médica.

O episódio ocorreu poucos dias após Bolsonaro receber alta hospitalar, depois de nove dias internado para a realização de uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral e procedimentos para tratar um quadro persistente de soluços. Desde então, a defesa tem solicitado ao STF autorização para a realização de exames em hospital particular e para o cumprimento da pena em prisão domiciliar, pedidos que vêm sendo negados pelo ministro Alexandre de Moraes.

Até o momento, Bolsonaro permanece custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, enquanto a equipe médica monitora sua evolução clínica.

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