Um guarda civil municipal de Mogi das Cruzes foi afastado das atividades operacionais após a circulação de um vídeo nas redes sociais que mostra um agente jogando a bicicleta de um entregador em um córrego. O caso ocorreu na última sexta-feira (24/04), na região do Jardim Oropó, e ganhou ampla repercussão a partir de segunda-feira (27/04), quando as imagens passaram a viralizar e ultrapassaram milhões de visualizações.
O entregador Alisson dos Santos, de 25 anos, afirma que utilizava a bicicleta como único instrumento de trabalho e fonte de renda da família. Segundo ele, no momento da abordagem, estava a caminho de retirar um pedido quando foi questionado por agentes da Guarda Civil Municipal sobre possível posse de drogas.
De acordo com o relato, após negar qualquer irregularidade, um dos guardas teria se alterado e o agredido com um tapa no rosto. Alisson também afirma que, ao deixar o local, encontrou a bicicleta danificada, com estrutura comprometida e pneus furados. Em seguida, decidiu registrar a situação em vídeo.
As imagens mostram o momento em que um dos agentes arremessa a bicicleta no córrego, além do entregador filmando a viatura e a identificação do veículo, vinculado à Ronda Escolar. Ainda segundo o jovem, os agentes solicitaram seus documentos para registro de ocorrência, mas ele optou por não entregá-los por receio de nova abordagem.
A repercussão do caso levou à adoção de medidas administrativas. Em nota oficial, a Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que o afastamento do agente foi determinado imediatamente após a denúncia vir a público. A administração municipal também confirmou a abertura de um processo de sindicância pela Corregedoria da Guarda Civil Municipal para apurar a conduta.
No posicionamento, a Secretaria Municipal de Segurança destacou que a atitude registrada não condiz com as diretrizes da gestão, que preza pela legalidade, qualidade dos serviços públicos e respeito ao cidadão. O órgão reiterou que a apuração será conduzida com rigor.
O caso também mobilizou representantes políticos e lideranças ligadas a trabalhadores por aplicativo. Foi protocolada uma ação judicial que pede a responsabilização civil e administrativa pelos fatos, classificando o episódio como possível caso de violência estatal.
Enquanto aguarda desdobramentos, o entregador relata dificuldades para retomar o trabalho e preocupação com o sustento da família. Ele afirma que ainda busca compreender o que aconteceu e quais serão as consequências do episódio.


