Contas públicas, definição da equipe econômica e discussões sobre impostos concentraram a atenção dos investidores nesta quarta-feira.
O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quarta-feira (28) com nova queda da Bolsa e leve recuo do dólar. O Ibovespa, principal índice da B3, perdeu 2,68% e fechou aos 171.006,10 pontos. O dólar comercial caiu 0,19%, cotado a R$ 5,34. Os investidores acompanharam as perspectivas para a política econômica após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além das discussões sobre tributação e da decisão de juros nos Estados Unidos.
Foi a terceira sessão consecutiva de queda do Ibovespa. Na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, o índice recuou 13,88%. Na terça-feira (27), registrou perda de 0,51%. Considerando o fechamento da sexta-feira anterior à eleição, a desvalorização acumulada nos três pregões ficou em aproximadamente 16,6%.
A queda desta quarta-feira atingiu ações de grandes empresas, incluindo bancos, Vale e Petrobras. O movimento ocorreu enquanto investidores buscavam indicações sobre a condução das contas públicas e as prioridades econômicas do mandato que começa em janeiro de 2027.
A definição da equipe econômica permanece entre os assuntos acompanhados pelo mercado. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), citado como possível nome para o Ministério da Fazenda, afirmou nesta quarta-feira que não conversou com Lula sobre assumir um cargo nem sobre a política econômica do próximo governo.
Fonteles defendeu que Lula poderá conciliar os compromissos sociais da campanha com responsabilidade fiscal. Segundo o governador, as propostas serão implementadas gradualmente e são compatíveis com as regras do arcabouço fiscal. As declarações representam a avaliação de Fonteles, sem anúncio de sua indicação para o ministério.
Outra discussão acompanhada pelos investidores foi a possibilidade de cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações atualmente beneficiadas por alíquota zero. Entre os investimentos mencionados estão letras de crédito imobiliário e do agronegócio, certificados de recebíveis e debêntures incentivadas. A medida permanece em estudo, sem definição de alíquotas ou regras de cobrança.
A reforma tributária também teve um novo desdobramento. O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o cálculo da alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em 11,35% para 2027. O percentual será encaminhado ao Senado, responsável por fixar a alíquota. Portanto, o cálculo aprovado pelo tribunal ainda depende dessa etapa para sua definição.
No cenário internacional, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve os juros na faixa de 3,75% a 4% ao ano. A decisão também foi acompanhada pelos investidores brasileiros, em um dia de atenção dividida entre o ambiente externo e as perspectivas para a economia nacional.



