Senador divulgou mensagem após chegar aos Estados Unidos. TSE confirmou reeleição de Lula, e PL reconheceu o resultado da disputa.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apagou uma publicação em que se apresentava como “presidente eleito” e divulgou uma nova versão da carta, passando a se definir como “líder do Brasil”. A mudança ocorreu nesta quarta-feira (28), após sua chegada aos Estados Unidos. No documento, ele contesta a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e faz acusações de fraude eleitoral sem apresentar provas.
Na primeira versão, também compartilhada pelo aliado Paulo Figueiredo, Flávio afirmava ser o verdadeiro vencedor da eleição presidencial. No texto atualizado, retirou as referências à condição de presidente eleito, mas manteve os questionamentos ao resultado e anunciou que pretende liderar a oposição a partir do território norte-americano.
O resultado oficial anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a reeleição de Lula no segundo turno, realizado no domingo (25). O petista recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.
A posição do senador também diverge da manifestação do próprio partido. Na segunda-feira (26), o PL reconheceu o resultado proclamado pelo TSE, embora tenha defendido esclarecimentos sobre questionamentos levantados durante a disputa. Em nota, a legenda também criticou a ampliação de gastos com benefícios sociais às vésperas da votação.
Na carta, Flávio agradeceu aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. Disse estar com a família em segurança e alegou sofrer perseguição política do Judiciário brasileiro. O senador negou que sua saída do país represente uma fuga e justificou a permanência no exterior como uma forma de continuar sua atuação política. Essas afirmações fazem parte da versão apresentada por ele no documento.
Flávio deixou o Brasil apesar de uma decisão judicial que determinava a entrega dos passaportes e o proibia de sair do território nacional. Ele chegou a Miami acompanhado de familiares, após embarcar na Argentina em um avião executivo que fez escala no Equador.
Um dos principais alvos das críticas do senador foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou a votação até as 19h no domingo. Flávio classificou a medida como irregular e associou o crescimento da votação de Lula entre os dois turnos a uma suposta impossibilidade matemática, sem apresentar comprovação de fraude.
Segundo esclarecimento oficial do STF, a extensão do horário valeu apenas para os locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas às 17h. A decisão considerou dificuldades de transporte de eleitores relatadas pelas duas candidaturas à Presidência. O TSE também publicou uma nota confirmando que a continuidade da votação estava restrita às seções que permaneciam abertas.
O levantamento divulgado pelo TSE contabilizou 34.393 votos registrados após as 17h em todo o território nacional. Desse total, 32.399 foram registrados entre 17h e 18h, 1.981 entre 18h e 19h e 13 depois das 19h. O número total de votos desse período é inferior à diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre os candidatos.
A Justiça Eleitoral também esclareceu que mudanças na votação entre o primeiro e o segundo turno não demonstram, por si só, irregularidade. Entre os fatores que podem alterar o resultado estão a transferência de votos de candidaturas eliminadas, a redução da abstenção e a diminuição dos votos brancos e nulos.
Além de contestar a apuração, Flávio defendeu a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin por supostos abusos de poder político e econômico. Na segunda-feira, ele já havia anunciado que buscaria essa medida, depois de inicialmente falar em pedir a anulação das eleições. O anúncio de uma contestação não altera o resultado oficial divulgado pelo TSE.



