Fotógrafo brasileiro eternizou em preto e branco a dor e a beleza do mundo; sua obra humanista e poética deixa legado imortal para o jornalismo e a arte.
O mundo perdeu um de seus maiores narradores visuais. Sebastião Salgado, considerado um dos mais influentes e respeitados fotógrafos do século XX e XXI, morreu nesta quinta-feira aos 81 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada oficialmente. A informação foi confirmada por familiares e instituições ligadas ao artista.
Nascido em Aimorés (MG), em 1944, Salgado deixou uma carreira promissora na economia para se tornar fotógrafo. E não apenas fotógrafo: um contador de histórias humanas e sociais, que fez do preto e branco a cor da alma do planeta. Seu trabalho atravessou fronteiras e continentes, revelando com sensibilidade extrema os rostos da pobreza, do sofrimento, da resistência e da esperança.
Ao longo de cinco décadas de carreira, Salgado registrou com profundidade a luta de trabalhadores ao redor do mundo, o drama de refugiados, os impactos da guerra e a destruição ambiental. Entre suas obras mais marcantes estão as séries “Trabalhadores” (1993), “Êxodos” (2000), “Gênesis” (2013) e, mais recentemente, o tocante “Amazônia” (2021), em que dedicou anos a retratar a floresta e os povos indígenas brasileiros.
Premiado mundialmente, foi membro da respeitada agência Magnum e fundou com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, o Instituto Terra — projeto de recuperação ambiental de áreas devastadas do Vale do Rio Doce.
A trajetória de Sebastião Salgado também ganhou os cinemas. O documentário “O Sal da Terra” (2014), dirigido por Wim Wenders e por seu filho, Juliano Ribeiro Salgado, concorreu ao Oscar e emocionou plateias ao mostrar a sensibilidade e o olhar transformador do fotógrafo mineiro.
Em vida, Salgado nunca deixou de enfatizar o papel da fotografia como instrumento de mudança:
“A fotografia é a linguagem mais universal que existe. A imagem fala direto ao coração.”
Sebastião Salgado se despede do mundo deixando um legado artístico, ético e ambiental que ultrapassa o campo da fotografia. Sua lente foi bússola moral e poética de um tempo de profundas transformações sociais.
O velório e cerimônia de despedida deverão ocorrer de forma restrita à família, segundo fontes próximas. Em breve, instituições culturais anunciarão homenagens públicas ao fotógrafo.


