O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou, durante audiência de custódia realizada neste domingo (23), que tentou mexer na tornozeleira eletrônica porque sofreu um “surto” causado por medicamentos psiquiátricos. A versão, porém, não convenceu a Justiça. A juíza auxiliar Luciana Sorrentino manteve a prisão preventiva decretada no sábado (22/11) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro está detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, depois de a corporação apontar risco de fuga e violação da tornozeleira. A PF também indicou que a convocação de uma vigília religiosa pelo senador Flávio Bolsonaro, em frente ao condomínio onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar, poderia ter sido usada para dificultar a fiscalização das medidas cautelares.
O que Bolsonaro disse na audiência
De acordo com a ata da audiência, Bolsonaro declarou que:
• teve “alucinação” e “paranoia” por causa dos medicamentos que vem tomando — pregabalina e sertralina, indicados para ansiedade e depressão;
• está com o sono instável e noites interrompidas;
• usou um ferro de soldar para tentar abrir a tornozeleira por volta da meia-noite, alegando possuir curso técnico para manuseio de equipamentos;
• “caiu na razão” e suspendeu a ação antes de concluir a violação, comunicando depois os agentes de custódia;
• começou a tomar um dos medicamentos quatro dias antes dos fatos;
• não teve intenção de fuga e não se recorda de outro episódio parecido.

Visita de Michelle e imagens na PF
No início da tarde, Michelle Bolsonaro visitou o marido na sede da PF. Imagens registradas pelo cinegrafista Rafael Sobrinho, da TV Globo, mostraram o ex-presidente na portaria do prédio, acompanhado por agentes.
Com a manutenção da preventiva, Bolsonaro seguirá preso enquanto o STF analisa os desdobramentos da tentativa de violação da tornozeleira e os indícios de que ele poderia deixar o país.



